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29 de jan. de 2016

Ônibus Espacial Challenger: 30 anos do desastre e a homenagem na música por Jean-Michel Jarre

Em 28 de janeiro último, foram completados trinta anos do acidente com o ônibus espacial Challenger. A tragédia vitimou todos os sete tripulantes a bordo, sendo um deles o físico e astronauta Ronald McNair, que seria a primeira pessoa a gravar uma peça musical no Espaço. O solo de saxofone foi composto por McNair em conjunto com o músico francês Jean-Michel Jarre, um dos pioneiros da Música Eletrônica e amigo pessoal de Ron.
Ronald Erwin McNair - o físico e astronauta estadunidense seria o pioneiro na execução de uma peça musical no Espaço (Via: Wikimedia Commons)

O Acidente

O ônibus espacial Challenger explodiu apenas 73 segundos após o lançamento, no dia 28 de janeiro de 1986. A causa foi identificada como uma falha em um anel de vedação de um dos tanques de combustível sólido da nave, o que causou um incêndio seguido de explosão. Na ocasião, seria a décima missão do Challenger e a 29ª do programa norte-americano de ônibus espaciais, e foi o primeiro acidente fatal em voo de uma missão tripulada do programa.

Saxofone de Ron McNair, sintetizadores de Jean-Michel Jarre e o álbum “Rendez-Vous”

O disco Rendez-Vous (expressão em francês que significa algo como “grande encontro”), mais um dos empreendimentos da vanguarda sonora de Jarre, foi lançado três meses depois do acidente, em abril de 1986. O álbum obteve grande êxito comercial no mundo todo, principalmente no Brasil, onde alcançou recordes de vendagem. Coisa rara para nosso cenário musical dos anos 80, onde temas instrumentais e música eletrônica não eram figuras muito presentes no meio popular. A animada faixa Rendez-Vous IV foi exaustivamente utilizada como vinheta de programas de TV e em rádios, se tornando de longe a mais popular do disco e também uma das mais conhecidas do artista em todo o mundo.

O disco todo é uma viagem sonora de constante metamorfose e progressão sonora, e  tem um tom de homenagem não apenas aos astronautas que faleceram no Challenger, mas também a todos os heróis da exploração espacial (humanos ou máquinas, popularmente lembrados ou não).

A faixa que diz respeito ao incidente com o ônibus espacial é a última do disco, denominada “Rendez-Vous VI”, também nomeada como “Ron’s Piece” (em português, “A Peça de Ron”) ou ainda “Last Rendez-Vous”. A composição para sax foi executada em estúdio pelo músico Pierre Gossez.
 
Rendez-Vous - capa frontal. Arte surrealista, como já era tradição de outras capas de discos do Jarre. (Via jeanmicheljarre.com)


O clima melancólico de Rendez-Vous VI se dá pelo início lento, com sons que lembram um movimento de céu estrelado, com as batidas de um coração aparecendo logo em seguida. Juntamente com o solo de sax, Jarre insere uma camada de um timbre suave de sintetizador,  adicionando uma textura onírica ao som. Tudo é pontuado pela cadência tranquila dos batimentos cardíacos ao fundo. Assim segue a música em seus seis minutos de duração, até que as outras camadas sonoras vão se esvaindo lentamente para que o último batimento cardíaco encerre a obra.
Ouça aqui a faixa Rendez-Vous VI

No verso do disco, além de agradecimentos especiais a alguns astronautas e funcionários da NASA que apoiaram o projeto, lê-se dois parágrafos com dedicatórias, abaixo traduzidos:
  • “Esse disco é dedicado a Ron McNair e aos outros seis astronautas que morreram a bordo do ônibus espacial Challenger no dia 28 de janeiro de 1986.”
  • “A PEÇA DE RON: essa peça foi especialmente composta para Ron tocá-la em seu saxofone a bordo do ônibus espacial e se tornar a primeira peça musical a ser executada e gravada no espaço. Ron estava tão animado quanto a essa peça que ensaiou até o último momento. Que a memória do meu amigo, astronauta e artista Ron McNair viva através dessa peça.”
Verso da capa do Rendez-Vous. Clique para ampliar e ler os textos originais (no fim da coluna esquerda). (Via lpcover.wordpress.com)
Comentários do autor: como grande fã da música de Jean-Michel Jarre e música eletrônica em geral, esse álbum certamente está presente na lista dos meus preferidos do gênero. A sonoridade extremamente desenvolvida e imersiva, que está presente no disco todo, aliado a todos os significados por trás das composições, fazem desse disco uma verdadeira obra-prima. As suítes Rendez-Vous II, extremamente sinfônica; e Rendez-Vous V, representação máxima de uma contínua metamorfose sonora, contam incríveis histórias em nossas mentes, mesmo sem pronunciar uma só palavra. Audição obrigatória para os fãs do estilo e do artista.

“Rendez-Vous Houston” - um concerto-tributo

Houston é uma cidade texana famosa por sediar o Centro Espacial Lyndon Johnson, núcleo da NASA responsável por controlar missões de exploração espacial tripuladas, como as missões Apollo e mais recentemente as demandas relativas à Estação Espacial Internacional (ISS).

A cidade também foi palco de um histórico concerto de Jarre, também em abril de 1986, denominado Rendez-Vous Houston. O evento causou muita comoção na população local, principalmente pelo seu propósito de tributo aos tripulantes do Challenger, com uma emocionante performance da faixa Ron’s Piece. A apresentação possui registro no Livro dos Recordes, com 1.5 milhão de espectadores estimados na ocasião.
Vista parcial da cidade de Houston durante o concerto “Rendez-Vous Houston”, com a megalomaníaca estrutura pirotécnica, canhões de luzes, lasers e telões de projeção - artefatos  tradicionais e obrigatórios nos concertos de Jean-Michel Jarre pelo mundo. (Via jeanmicheljarre.com)

Curiosidade: essa não foi a única vez onde Jarre fez referências ao universo da astronomia em obras suas. Seu álbum Metamorphoses, lançado em 2000, também traz uma faixa com o tema. “Hey Gagarin” faz uma homenagem a Yuri Gagarin, cosmonauta pioneiro em orbitar a Terra. Talvez detalharemos essa e outras referências em um futuro próximo!

Por Warley Souza
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Fontes


14 de mai. de 2015

Descoberta galáxia mais antiga e distante no espaço

NASA, ESA, P. Oesch e I. Momcheva (Universidade de Yale), e times da 3D-HST e HUDF09/XDF

Astrônomos da Universidade de Yale e da Universidade da Califória em Santa Cruz, nos Estados Unidos, divulgaram recentemente a descoberta de uma galáxia que é até agora a mais distante e, portanto, a mais antiga já registrada no universo.
Chamda de EGS-zs8-1, a galáxia azul extremamente luminosa está localizada na constelação de Boötes, a mais de 13 bilhões de anos-luz da Terra. Por sua distância, e considerando-se que a idade do universo aceita hoje é de 13,8 bilhões de anos, é possível determinar que a galáxia surgiu ainda nos primórdios do universo. 
Somente agora, com o enorme avanço tecnológico na astronomia, tem sido possível alcançar distâncias tão grandes assim para observação e estudo.
Para identificar EGS-zs8-1, o grupo de astrônomos utilizou dados dos telescópios Hubble e Spitzer, da NASA. Pelas informações recebidas, os astrônomos acreditam que a galáxia hoje seja completamente diferente. Na época em que existia conforme nas imagens, porém, ela já era enorme, um dos maiores e mais luminosos objetos já identificados.
A distância da EGS-zs8-1 foi calculada usando o telescópio MOSFIRE, que fica no Observatório WM Keck, no Havaí.
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Fontes: 

24 de abr. de 2015

Parabéns, Hubble!

Hoje o telescópio Hubble completa 25 anos desde seu lançamento, em  24 de abril de 1990. Poucos anos de vida se compararmos à época em que a idéia de lançar um foguete com um telescópio para fora da Terra começou a ser proposta, mas quanta história para contar!

Acompanhe essa "viagem no tempo" com a gente!
  
Ultra Deep Field: A imagem  enviada por Hubble contém uma
 estimativa de 10.000 galáxias

Na tentativa de evitar interferência da atmosfera terrestre nas imagens,  em 1923 o alemão Hermann Oberth (conhecido como um dos pais dos foguetes modernos) lançou a ideia de levar um telescópio pra fora da atmosfera. A partir daí, embora o trabalho de Oberth não tenha sido bem aceito e considerado "muito utópico", novos estudos foram surgindo em torno da questão. Somente 1971 a NASA abraçou esse projeto, aprovando realização de estudos de viabilidade de um telescópio espacial

Com o alto orçamento estimado, seria difícil conseguir financiamento. Foi aí que a Organização Europeia de Investigação Espacial (ESRO), que viria a ser a Agência Espacial Europeia (ESA), entrou no projeto. Com essa parceria, o custo total do telescópio baixou para US $ 200 milhões, cerca de metade do valor estimado inicialmente. Em 1977 o Congresso americano concedeu o financiamento e a partir daí o telescópio começa a sair do papel. 

O projeto, originalmente planejado para ser lançado em 1983, sofreu com atrasos na sua construção e com o acidente com o ônibus espacial Challenger, que levantou o questionamento de quando o Hubble seria lançado.  Somente em 1990 o telescópio foi finalmente enviado, a bordo da nave Discovery. 

Seu nome foi uma homenagem a Edwin Hubble, astrônomo reconhecido por constatar que muitas das nebulosas aparentes eram na verdade galáxias fora da Via Láctea, e que estas afastavam-se umas das outras a uma velocidade proporcional à distância que as separava. 

O telescópio Hubble foi colocado em órbita circular à cerca de 600 quilômetros da superfície terrestre, completando uma revolução a cada 97 minutos. Sua massa é de 11,6 toneladas, distribuídas por 15,9 metros de comprimento e 4,2 metros de diâmetro. Sua força vem de painéis solares fixados no lado externo. A velocidade do telescópio chega a 8 quilômetros por segundo. 

Equipado com lentes que podem detectar tanto a luz visível quanto a luz infravermelha, Hubble é do tipo Refletor, sendo seu principal elemento óptico um espelho.


Por que Hubble se destaca? 

Uma das missões científicas mais bem sucedidas e duradouras da NASA, Hubble já contribuiu muito para o avanço da Astronomia. Seu 'olhar' tem ajudado a determinar pontos cruciais para os astrônomos. Investigando tudo, desde buracos negros a planetas em torno de outras estrelas, o Hubble mudou a face da Astronomia, dando início a um novo capítulo da exploração do universo. 

Desde o seu lançamento, mais de 10.000 artigos científicos foram desenvolvidos baseados nas informações enviadas pelo telescópio.  

Além de imagens de tirar o fôlego, Hubble possibilitou várias descobertas, entre as mais interessantes, encontram-se: 
  • A idade do universo, entre 13-14.000.000.000 anos. Hubble olhou para o passado, em alguns casos, o telescópio pegou luz que deixou estrelas apenas 600 milhões de anos após o Big Bang. 
  • Hubble ajudou a construir o maior mapa 3D que revela onde a energia escura é distribuída no universo, essa força é responsável pela aceleração da expansão do universo. 
  • Descoberta de duas novas luas de Plutão: Nix e Hydra. 
  • Confirmação da abundância de discos protoplanetários em torno de estrelas recém-nascidas. 
  • As explosões de raios gama, que ocorrem em galáxias muito distantes quando há colapso de estrelas massivas. 
  • A descoberta de várias galáxias e a existência de buracos negros supermassivos no centro delas. Algumas galáxias ainda jovens desempenharam um papel fundamental para explicar a origem do universo. 
  • Existência de um oceano subterrâneo de água salgada em Ganimedes, a maior lua de Júpiter. Esse oceano deve conter mais água do que toda a superfície terrestre.  


Hubble Mania 

Em comemoração aos 25 anos do telescópio, a NASA criou um concurso para eleger a foto mais bonita já registrada por Hubble. O site separou por categorias as imagens que mais ganharam destaque no período de 25 anos. A votação foi popular, para conferir, clique no link.


A imagem vencedora da competição foi da nebulosa da Águia,
situada a 6500 anos-luz d
e distância da Terra.
 
Sucessor  

Ao longo desses 25 anos, o telescópio precisou de alguns reparos. Até agora já foram 5 missões para manutenção. A primeira delas ocorreu em 1993, quando foram necessários ajustes nos espelhos do telescópio para resolver alguns borrões nas imagens capturadas. 

Atualmente a NASA não tem planos para manutenção do telescópio Hubble, mas está focada em outro projeto: o telescópio espacial James Webb, provável sucessor do Hubble, que deve ser lançado em 2018. Tendo em vista que o plano inicial era que Hubble orbitasse a Terra somente por 10 anos, e que ele já surpreendeu a todos, por que não um sucesor?! 

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