Mostrando postagens com marcador história. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador história. Mostrar todas as postagens

31 de mar. de 2015

Os Planetas do Sistema Solar - Mercúrio

Um planeta ainda pouco explorado, o menor do Sistema Solar, um mundo seco, rochoso e cheio de crateras. Mercúrio sente o intenso calor solar durante o dia, mas tem a mais frágil das atmosferas e noites gélidas.

Imagem do planeta Mercúrio enviada pela sonda Messenger.
Fonte: Site G1.

História


Além de ser o deus da venda, lucro e comércio, Mercúrio na mitologia romana era responsável por levar as mensagens de um deus para o outro, provavelmente, o planeta Mercúrio recebeu esse nome por ser o mais rápido do Sistema Solar. Antes do século IV a.C, astrônomos gregos consideravam Mercúrio como dois objetos distintos: um visível antes do nascer do Sol chamado de Apolo e outro visível após o pôr-do-sol, chamado Hermes.

Comparado aos outros planetas do Sistema Solar, sabemos pouco sobre Mercúrio. Apenas duas sondas foram enviadas para explorar o planeta, a primeira foi Mariner 10 entre 1974 à 1975 que mapeou cerca de 45% da superfície do planeta. Mais de 30 anos depois, a sonda Messenger estuda o planeta, desde 2008 e já enviou mais de 200 mil fotos de Mercúrio.

Movimento e Temperatura


Mercúrio é o planeta que leva menos tempo para completar uma volta em torno do Sol, em um ano terrestre o planeta completa cerca de 4 translações. O movimento de rotação de Mercúrio está diretamente ligado com o período orbital, ele gira uma volta e meia a cada órbita. O tempo gasto para completar o movimento de rotação é de 59 dias terrestres. Para cada duas voltas em torno do Sol, Mercúrio completa 3 voltas em si mesmo.

Mesmo sendo o planeta mais próximo ao Sol, ele não é o mais quente. A variação de temperatura na sua atmosfera é muito alta: pode ir dos 427°C durante o dia a -180°C à noite. Algumas crateras na superfície do planeta são tão profundas que não recebem diretamente luz solar, cientistas acreditam na possibilidade de gelo no solo do planeta.


Estrutura e atmosfera


Estrutura de Mercúrio.
 Fonte: Enciclopédia do Espaço
 e do Universo, DK Multimedia
O interior de Mercúrio é extremamente denso comparado a outros planetas rochosos. Seu núcleo é rico em ferro e possui cerca de 73% do seu volume. Em volta do núcleo, há um manto rochoso que provavelmente foi líquido e sofria com fortes erupções vulcânicas há bilhões de anos atrás. Hoje, o manto rochoso esfriou, solidificou e as erupções cessaram.

Sua superfície é coberta por milhares de crateras de impacto formadas por choques com meteoritos, algumas com centenas de quilômetros de comprimento e quase três de altura. Provavelmente o choque de um corpo com cerca de 100km de diâmetro atingiu o planeta e ondas de choques deformaram a superfície oposta ao impacto criando a bacia de Caloris, que abrange cerca de um quarto da superfície de Mercúrio. O site do canal National Geographic Channel,
divulgou um vídeo retratando a bacia de Caloris com base nos dados da sonda Messenger e detalhes do seu surgimento, para assisti-lo Clique Aqui.

Mercúrio tem uma atmosfera muito fina e temporária, já que varia à medida que perde gases e é reabastecida. Sua atmosfera é constituída de elementos expulsos da sua superfície como sódio junto com hélio do vento solar.

Observação


Mercúrio tem fases como a Lua, mas é difícil vê-lo por não se afastar do Sol. Por refletir luz solar e estar relativamente próximo à Terra, conseguimos observar o planeta em dois momentos:  antes do nascer do Sol ou após o pôr-do-sol, mas em períodos que está mais distante do Sol, a observação é mais fácil. 

A foto abaixo é de maio de 2013, período em que foi possível ver a olho nu Mercúrio Vênus, e Júpiter "próximos" do ponto de vista de um observador na Terra. Esta aparente aproximação, não passa de uma ilusão de perspectiva onde os planetas mesmo distantes uns dos outros parecem vizinhos em decorrência da conjunção.
Mercúrio, Vênus e Júpiter.
Fonte: Site Observatório astronômico de Lisboa.

Fonte: Observatório astronômico de LisboaG1Astronomia On-LineNatgeotv, Livro: Astronomia, Autor Ian Ridpath.

17 de mar. de 2015

As mulheres na Astronomia

Março é conhecido como o "mês da mulher", e a gente não poderia deixar passar em branco a oportunidade de falar um pouco sobre as grandes mulheres da Astronomia, que deixaram um legado de conhecimento de valor imensurável, além de quebrarem duras barreiras para a grande participação e atuação das mulheres na ciência e na Astronomia nos dias de hoje.

Deixamos aqui então a nossa homenagem a todas elas, e para vocês, leitores, um panorama histórico e inspirador, dedicado especialmente a todas as mulheres que estão hoje escrevendo também a história da ciência.

Na foto, as “mulheres de Pickering”, ou “o harém de Pickering”, como ficou conhecido. Grupo de mulheres astrônomas, minuciosas nos cálculos, que atuou junto a Edward Pickering  o Observatório de Harvard. Dentre elas, Henrietta Swan Leavitt e Annie Jump Cannon. |
Créditos foto: Instituto Americano de Física

Foi por volta de 1600 que os nomes das mulheres passaram a aparecer com certa regularidade nos anais da astronomia. Muitas, à essa época, viveram à sombra de familiares cientistas – pai, irmão ou cônjuge - a quem ajudavam em seus trabalhos, colaboravam na redação, nos cálculos e nas classificações. Em geral, prosseguiram as pesquisas e as tarefas dos seus “protetores” depois de suas mortes, completando-as com paciência e precisão. Sua maior luta era para ter acesso ao conhecimento. Precisaram vencer também o preconceito de que trabalho científico não era da alçada de mulheres.

A verdade é que algumas características tidas como femininas - habilidade manual, dedicação, paciência e persistência – ajudaram-nas muito no trabalho científico.

A astrônoma dinamarquesa Sophie Brahe (1556?-1643) era assistente científica muito silenciosa e brilhante do seu irmão, o astrônomo Tycho Brahe (1546–1601). Sua atividade como astrônoma foi relatada pelo astrônomo francês Pierre Gassendi (1592–1655) em De Tychonis Brahei Vita:Tychonis Brahei Vita: "ela foi uma perita em matemática e astronomia, estudos aos quais se dedicou com grande entusiasmo".

A astrônoma silesiana Maria Cunitz (1604-1664), além de tradutora dos trabalhos de Kepler, dedicou-se à melhoria das tábuas astronômicas. Com a obra Urania propitia (Oels-Silesia, 1650), Cunitz conseguiu uma simplificação das Tábuas Rudolphianas de Kepler e ganhou uma enorme reputação na Europa. Além de aperfeiçoar as efemérides, encontrou uma solução mais elegante para o problema de Kepler. 

A astrônoma polonesa Elizabeth Hevelius (1646-1693), segunda esposa do astrônomo alemão Johann Hevelius (1611-1687), publicou dois catálogos estelares importantes. Após o falecimento do marido, publicou Firmamentum Sobiescianum(1690), último catalogo e atlas com 56 folhas, realizado com base em observações feitas a olho nu, no qual foram traçadas sete novas constelações até hoje em uso.

A astrônoma alemã Maria Margareth Kirch ou Maria Margareth Winckelmann(1670-1720) aprendeu astronomia com o fazendeiro alemão Christoph Arnold (1650-1695), um apaixonado pela pesquisa astronômica que, além de ter descoberto o grande cometa de 1863, observou o trânsito de Mercúrio pelo disco solar em 31 de outubro de 1690. Em 1686, o astrônomo alemão Gottfried Kirch (1693-1710) então viúvo instalou-se na cidade de Leipzig, onde conheceu Maria Margareth com quem se casou. Mais tarde, ela descobriu o cometa de 1702. 

Caroline Herschel (1750-1848), apaixonada pela astronomia, especializou-se no polimento dos espelhos dos telescópios construídos pelo seu irmão – o famoso músico e astrônomo inglês de origem germânica, William Herschel, descobridor do planeta Urano - para ajudá-lo. Ela também fabricava os tubos dos telescópios em papelão. Trabalhadora incansável, ela descobriu um cometa em 1786, o primeiro dos nove que descobriu em onze anos. Foi a primeira mulher, de que se tem conhecimento, a receber uma remuneração pelos seus trabalhos. 

A tolerância em relação às astrônomas começou a mudar um pouco com Mary Fairfax Grieg Somerville (1780-1872) – famosa pela tradução para o inglês da obra Traité de mécanique celeste (1799-1825, Tratado de mecânica celeste) do matemático e astrônomo francês Pierre Simon de Laplace,(1749-1827) -,  que liderou as primeiras lutas de seu tempo a favor dos direitos das mulheres.

Nessa mesma época que surgem as sátiras contra as mulheres, como, por exemplo, Les Femmes savantes (As mulheres sábias, 1672) do escritor francês Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido como Molière (1622-1673).

Até o século XVII, as grandes descobertas eram divulgadas através dos tratados científicos. Porém, a partir da revolução científica surgiram as grandes edições de obras com objetivo de popularizar a ciência. Por exemplo, a obra Entretiens sur la pluralité des mondes (A pluralidade dos mundos habitados, 1686) do escritor francês Bernard Le Bouyer de Fontenelle (1657-1757), era dedicada às damas. 

No século XVIII apareceram as primeiras enciclopédias específicas para as mulheres em ciências naturais e medicina. Assim por exemplo, o astrônomo francês Jérôme de Lalande (1732-1807), em sua Astronomie des Dames (1786) desenvolveu o gênero da literatura científica chamada “para as damas”, na qual incluiu uma breve história sobre as astrônomas. Talvez essa tenha sido a primeira história da ciência, na qual a contribuição das mulheres para a ciência não foi esquecida. 

Com o Renascimento e, em seguida, com a Revolução científica, o interesse das mulheres pela ciência se generalizou. Muitos são os fatores para esta mudança, talvez o principal deles seja o fato de que nessa época, e por quase 200 anos, se discutia intensamente sobre a educação da mulher.

Na segunda metade do século do XIX, nos Estados Unidos, o preconceito contra as mulheres era ainda forte na comunidade científica. Ele só começou a cessar diante do talento e da qualidade do trabalho feminino. De início, as astrônomas dedicaram-se à astronomia de posição, à astrofotografia, à fotometria e, mais tarde, especialmente, à espectroscopia. As mulheres, como Maria Mitchell (1818-1889) começaram a ensinar a astronomia em 1876. Os observatórios, como o de Harvard, começaram a contratar algumas mulheres como Annie Jump Cannon (1863-1941), que teve grande sucesso ao classificar mais de 400.000 estrelas em nove catálogos, sem falar de seus outros trabalhos. Mas foi necessário esperar quase um século para ver as mulheres adquirindo uma quase-paridade econômica e acadêmica com os colegas masculinos. 

No mundo da astronomia moderna, o casal Shoemaker ocupou um lugar privilegiado. Os seus trabalhos são quase inseparáveis. Eugène Shoemaker (1928-1997) confiou à sua esposa Carolyn Jean Spellman Shoemaker (1929- ), a observação do céu, em particular, a pesquisa de asteróides e cometas. Em 1982, Carolyn descobriu um NEO - Near Earth Object (Objeto próximo à Terra) -, um asteróide assim denominado por passar relativamente perto da Terra. Desde então, a paixão pelos cometas e asteróides não a abandonou. Em onze anos de trabalho, ela identificou 32. O conjunto dos trabalhos realizados por Carolyn e Eugène valeu ao serem recompensados pela NASA o título de "Cientistas do Ano" em 1995. 

A astrônoma Vera Rubin (1928-) que estudou os movimentos e rotações das galáxias, foi a primeira mulher que conseguiu trabalhar no Observatório do Monte Palomar. Vera Rubin teve uma mestra excepcional, Margaret Peachery Burbridge (1919- ), pioneira na medida da velocidade de rotação das galáxias. Apaixonada pelos "quasares", Margaret Burbridge formou com seu marido Geoffrey Ronald Burbridge (1925- ) e os amigos William Alfred Fowler (1911-1995) e Fred Hoyle (1915-2001), o Quarteto B2FH, a quem se deve, desde 1964, a idéia de "colapso o núcleo de buraco negro maciço". As últimas descobertas cosmológicas não impediram que os Burbridges se opusessem, por razões estritamente científicas, à idéia do Big Bang. 

Margaret Burbridge, Vera Rubin e depois dela também, Susan Jocelyn Bell Burnell (1943-) - especializada em astronomia no infravermelho e a quem se deve à descoberta dos pulsares -, foram precedidas por numerosas astrônomas que lhes abriram o caminho. Especializadas nestes “objetos complexos”, elas desenvolveram a espectroscopia. No entanto, como a análise espectral não fosse suficiente para permitir entender a organização das estrelas compreende-se que era necessário também classificá-las, ferramenta essencial da astronomia moderna, a classificação estelar remonta à Antigüidade, com os catálogos de Hiparco e Ptolomeu (c. 120 a.C). 

O grande desenvolvimento desta ciência deve-se ao astrônomo norte-americano Edward Charles Pickering (1846-1919), diretor do Observatório de Harvard (HCO), que cercou-se de uma equipe feminina – que ficou conhecido como o harém de Pickering –capaz de realizar tarefas exigentes repetitivas.

Entre as mais famosas dentre elas, encontravam-se Williamina Fleming (1857-1911), Antonia Maury (1866-1952) e Annie Cannon (1863-1941), todas as três astrônomas responsáveis pelos novos sistemas de classificação das estrelas utilizados até hoje. 

Henrietta Swan Leavitt (1868-1921), nomeada por Pickering como chefe do departamento de fotometria estelar e de classificação estelar, foi quem estabeleceu a relação período-luminosidade das Cefeídas. Henrietta Leavitt deveria ter recebido o prêmio de Nobel. Em 1925, quando a Academia das Ciências da Suécia anunciou que iria propor seu nome descobriu-se que ela já havia falecido há quatro anos, pois a sua morte ocorrida em 1921 teve pouca repercussão.

A astrônoma Cecília Helena Payne-Gaposchkin (1900-1979), primeira mulher nomeada chefe do departamento de astronomia da Universidade de Harvard, em 1956, dedicou-se à pesquisa das três ou quatro mil estrelas variáveis das Nuvens de Magalhães. 

Convém lembrar que Vera Rubin teve que esperar anos antes que lhe permitissem, em 1965, observasse ao telescópio de 5 metros do Monte Palomar, porque, aparentemente era proibido que uma mulher fizesse trabalhos de observação. Cecília Payne Gaposhkin (1900-1979), uma das grandes entre todas as astrônomas do século, só alcançou cátedra em Harvard depois de trinta anos de trabalho e ensino. 

Na América Latina, existe uma quantidade considerável de mulheres na astronomia. O mesmo acontece na Espanha, França e Itália.

No Brasil, a primeira astrônoma profissional foi Yeda Veiga Ferraz Pereira (1925-), que trabalhou no Observatório Nacional, na década de 1950.

Outros nomes são Rosaly M.C. Lopes-Gautier – que formou-se na Inglaterra e ficou conhecida por seu trabalho em Geologia Planetária no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, sigla em inglês) da NASA, onde ingressou em 1989 -, e Beatriz Barbuy (1950- ), que após estagiar no Observatório de Meudon, doutorou-se pela Universidade de Paris, em 1982, dedicando-se posteriormente à astrofísica estelar, em particular, ao cálculo dos espectros moleculares nas estrelas, no Instituto Astronômico e Geofísico, da Universidade de São Paulo. Em seus estudos das estrelas de fraco teor metálico, com o objetivo de explorar a formação da Via-Láctea, Beatriz fez valiosas contribuições com relação às estrelas do núcleo da nossa Galáxia. Como pesquisadora e professora na USP, teve um importante papel no desenvolvimento da astrofísica no Brasil.


Hoje, muitas mulheres se dedicam às carreiras científicas, mas foram necessários muitos anos de lutas nessa direção. Existem ainda dificuldades a serem enfrentadas, mas as mulheres permanecem se afirmando como profissionais competentes e qualificadas na ciência também, assim como em outras áreas do conhecimento. 

---
Conteúdo adaptado a partir das seguintes fontes:
Portal do Astrônomo, texto de Ronaldo Mourão (publicado em 03/2007)
Portal de Astronomia da Universidade de Berkley

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...