6 de mar de 2015

Areia do Saara na Amazônia?

Se você acha que os satélites da NASA apontam apenas para o espaço, é melhor pensar de novo! :)

Uma notícia publicada no portal O Globo conta como satélite da agência tem ajudado a entender um fenômeno muito curioso: o transporte de areia do Saara para a nossa Floresta Amazônica!

Acompanhe com a gente!
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A cada ano, 27,7 milhões de toneladas de poeira viajam do Saara para a Amazônia
Material carrega 22 mil toneladas de fósforo, nutriente essencial para a manutenção da floresta

182 milhões de toneladas de poeira cruzam o Atlântico todos os anos da África para as Américas
A transferência de poeira do deserto do Saara para a floresta Amazônica já era conhecida pela ciência, mas, pela primeira vez, cientistas conseguiram mensurar o volume de material transportado. Com o auxílio de satélites, a Nasa estimou que, por ano, 182 milhões de toneladas de poeira são carregados pelo vento e cruzam os 2,5 mil quilômetros que separam a América do Sul do continente africano, sendo que 27,7 milhões de toneladas da poeira, o suficiente para encher 105 mil caminhões, são depositadas na floresta Amazônica.

— É um mundo pequeno — disse Hongbin Yu, autor do estudo. — E todos nós estamos conectados.

O fenômeno, que a primeira vista pode parecer negativo, é essencial para a manutenção das matas. As areias do Saara são ricas em fósforo, resultado da decomposição de peixes que habitaram a região há milhares de anos, e esse nutriente age como fertilizante da floresta sul-americana. O estudo, liderado por Hongbin Yu, cientista atmosférico da Universidade de Maryland, aponta que aproximadamente 22 mil toneladas de fósforo chegam ao solo amazônico todos os anos. O temor é que as mudanças climáticas alterem esse ciclo e coloque em risco esse processo natural de adubação.

— Nós sabemos que a poeira é muito importante de diferentes formas. É um componente essencial do sistema terrestre. A poeira afeta o clima e, ao mesmo tempo, a mudança do clima afeta a poeira — disse Yu, ressaltando a importância de conhecer melhor o fenômeno. — Primeiro, nós temos que tentar responder a duas questões básicas. Quanta poeira é transportada e qual a relação entre a quantidade de poeira transportada e os indicadores climáticos.

O cálculo foi possível graças ao Calipso, que fez as observações entre 2007 e 2013. Os instrumentos a bordo do satélite envia pulsos de luz que analisam partículas na atmosfera e recebe os resultados, distinguindo a poeira de outras partículas de acordo com propriedades óticas.

Os dados mostram que, a cada ano, o vento carrega 182 milhões de toneladas de poeira da região oeste do Saara, mas parte deste material cai nas águas durante a travessia do Atlântico. Perto da costa da América do Sul, 132 milhões de toneladas ainda permanecem na atmosfera, e 27,7 milhões de toneladas são depositadas na bacia do rio Amazonas. Cerca de 43 milhões de toneladas seguem viagem e caem sobre o Mar do Caribe.

Yu e sua equipe focaram no transporte de poeira entre a África e as Américas por ele ser o maior do mundo. O espaço de sete anos de dados coletados, apesar de curto para análises de longo prazo, é muito importante para o entendimento de como a poeira e outros aerossóis são transportados pelo planeta, opina Chip Trepte, cientista do programa Calipso, mas que não participou da pesquisa.

— Nós precisamos de dados históricos para entender um padrão consistente de transporte de aerossóis — disse Trepte.

Apesar dos poucos anos de estudo, foi possível perceber uma variação de 86% no volume máximo transportado, em 2007, em relação ao menor volume, em 2011. Ainda é cedo para apontar as causas, mas os pesquisadores encontraram uma correlação com a intensidade das chuvas no Sahel. Quando as chuvas aumentam, o transporte no ano seguinte é menor.
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Abaixo o vídeo produzido pela NASA sobre o assunto, com áudio e legenda em inglês. Vale a pena conferir! 




"E o que isso tem a ver com astronomia?", alguém pode perguntar! 

Ora, a astronomia é a ciência que estuda os corpos celestes, de planetas a galáxias, e todos os fenômenos envolvidos, que permitam entender a composição, a formação e o funcionamento do nosso universo. Se queremos entender o universo, nada mais justo do que observar muito, e também, o nosso planeta! Nada de olhar só para o céu, nosso planeta é riquíssimo, e temos muito a aprender sobre ele e com ele!

Nós achamos muito bacana poder olhar um pouco mais para o mecanismo surpreendente da Terra! Esperamos que achem tão interessante quanto achamos! :)

Até a próxima, pessoal!

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Artigo publicado originalmente no site OGlobo, em 27/02/2015. 
Link para a postagem original: clique aqui

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