24 de jun de 2015

A “segunda Lua” da Terra que você provavelmente não conhecia

Foto da Lua tirada por Ludmila Deslandes, colaboradora do Astronomia no Vale do Aço,
com auxílio do monitor Warley Souza. Para a foto, foram utilizados câmera de
smartphone de 8mp e  telescópio dobsoniano de 208mm, com ocular de 10mm. 

Desde muito novos fomos apresentados a um objeto grande e muito brilhante no céu que os nossos ancestrais já chamavam de Lua. A Lua, que desperta forte admiração desde os astrônomos até os bons amantes, símbolo de músicas e poesias, desde milhares de anos. Todos nós a conhecemos e já nos pegamos alguma vez admirando sua beleza no céu noturno.

Mas quando falamos na existência de uma segunda Lua, é de se estranhar não é mesmo? Mas não se assuste, essa história de “segunda Lua” era desconhecida até mesmo pelos astrônomos até pouco tempo.

O que acontece é o seguinte: por uma definição mais científica, definimos a Lua como “satélite natural da Terra”. E recentemente, em 1997, outro objeto, que foi definido como “satélite quasi-orbital da Terra” e recebeu o nome Cruithne 3753, foi descoberto pelos astrônomos. O termo “quasi-orbital” significa que ele não gira em torno da Terra em uma bela elipse, da mesma forma que a lua, ou mesmo os satélites artificiais que estão na nossa órbita.

Cruithne leva cerca de 364 dias para dar uma volta ao redor do Sol, quase o mesmo que a Terra - é por isso que ele parece seguir a Terra e também por isso que ele foi chamado poeticamente (mas tecnicamente incorretamente) de nossa "segunda lua."

Em primeiro lugar, uma rápida explicação do por que Cruithne não é realmente uma lua, em seguida, uma explicação do por que muitos se recusam a aceitar esse fato. Não é uma lua, porque, bem, é um asteroide. Cruithne orbita o Sol, e não a Terra, e seu padrão orbital definitivamente não está ligado à Terra. 


Na imagem, a Lua à esquerda, a Terra ao centro e Cruithne à direita. A imagem é do portal Discovery,
que nomeou Cruithne o "parceiro de dança orbital da Terra". 

De maneira nenhuma Cruithne se caracteriza como um corpo secundário orbitando a Terra - então por que é tão frequentemente referido dessa maneira?

O fato de seu período orbital ser bem semelhante ao da Terra faz com que a tendência seja que esse pequeno corpo celeste se mova em conjunto com a Terra por longos anos, isso faz alguns insistirem em caracterizá-lo como a nossa “segunda Lua.”

A órbita de Cruithne se diferencia muito da Terra em seu formato, não é nem um pouco regular. Veja o vídeo abaixo, que oferece uma ótima visibilidade da órbita do asteroide. Visto desta perspectiva, fica mais fácil de perceber que o corpo não pode ser caracterizado com uma segunda Lua.




Ainda que Cruithne não seja a tão falada segunda lua da Terra, faz parte de uma grande série de objetos que são importantes para os estudos espaciais, conhecer os corpos que orbitam próximos a nós e suas características pode ser o início de muitas explorações futuras. Quem sabe, Cruithne possa, assim como a Lua, um dia ser visitado por nossos astronautas? Seria, sem dúvidas, uma grande conquista para o mundo da Astronomia.

Bacana, não acham? 


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